René Gabriel
55% Cabernet Franc, 45% Merlot. Púrpura-violeta muito escuro e denso, com reflexos violetas. Bouquet delicado, muito fino, intensidade média, cerejas azuis, notas de lilás; difícil de abordar, pois ainda revela pouco da sua profundidade. No paladar, muito, muito elegante, soberbamente equilibrado, totalmente assente na finesse e lembrando um Chambertin dançante até o longo final. Não é um Ausone de competição, talvez um que, nos primeiros anos, será quase discreto demais e que, em 10 anos, evoluirá para um Premier Cru esguio, clássico e verdadeiro. E ainda ganhará mais. (18/20). 12: Nitidamente mais claro, muito rubi. Muitas notas tostadas, caramelo claro; um pequeno toque de uvas não totalmente maduras mascarado de pimentão vermelho, com tons florais também. No paladar, muita doçura, também notas ácidas de ginja que mostram uma acidez não totalmente integrada. O que resta deste vinho se tirarmos as barriques um tanto opulentas? Provavelmente ainda muito, mas de certo modo pouco para justificar o preço de mercado. Mesmo os grandes terroirs sofrem em condições meteorológicas magras. Agora um ponto abaixo em relação à prova en primeur. (18/20). 16: Para um vinho desta safra, extremamente escuro. Púrpura-granada, centro denso. O bouquet cheira a ameixas pretas maduras, notas sérias de tabaco, também revelando um fino toque de especiaria ligeiramente verde, com um delicado véu de caramelo por cima. No paladar, por um lado oferece uma ótima aromática, por outro mostra um corpo já evoluído. Talvez este seja um Ausone precoce, melhor bebido na sua fase de fruta plena. E isso parece ser exatamente hoje. O fator diversão é enorme.