René Gabriel
COM MONTROSE NO TOPO DE SAINT-ESTÈPHE
Incrível Meyney! Se a safra de 2015 é um ano do enólogo ou se deve ser declarada um ano do terroir provavelmente será sempre debatido. Com este fabuloso Meyney, é provavelmente ambos. Desde 1999 avalio cada safra de forma consistente com 17 a 18 pontos. Desta vez é o melhor Meyney que já provei na minha vida. Quem é atento ao orçamento e quer comprar um grande vinho deve colocá-lo na lista de compras sem falta!
40% Cabernet Sauvignon, 52% Merlot, 8% Petit Verdot. Púrpura extremamente escuro com reflexos lilás e violetas. Um bouquet impressionantemente poderoso desde o primeiro momento: muitas amoras, ameixas pretas, nobres madeiras escuras e primeiros contornos de tabaco. No palato, o fascínio olfativo continua sem costura: profundo, barroco, poderoso, mas com taninos adequados que atingiram alta maturidade, final persistente. Já provei um Meyney tão genial? Ultimamente houve uma série de sucessos avaliados extremamente altos. Este ano não hesito em contá-lo (não pela primeira vez) entre os grandíssimos de Saint‑Estèphe. Provei quatro vezes, a última durante uma visita espontânea ao próprio Château. Não haverá melhor relação qualidade‑preço em Saint‑Estèphe este ano! 17: Provei novamente no Château durante uma vertical. A cor parece um pouco mais clara do que se esperaria da safra. Granada média com reflexos rubi na borda. Bouquet aberto, mostrando ricas tendências de fruta de ameixas vermelhas e pretas, boa profundidade, muito expansivo e já indicando harmonia no nariz. No palato, macio e exigente ao mesmo tempo; os taninos mostram, na língua, finas nuances granulosas, dando assim um certo caráter ao fluxo; a pressão aromática poderia ser um pouco mais intensa no final. No momento, tem pouca vontade de se mostrar e dá o ombro frio. Pela constituição, é um grandíssimo Meyney. Em en primeur eu o avaliei com 19/20. Agora entrega solidamente 18/20. Mas, como já escrito, está atualmente introvertido. Pode também ser um certo choque de engarrafamento. Voltará certamente a crescer! No momento: 18/20. 18: Tinto‑vinho extremamente escuro com reflexos quase negros no centro. Bouquet profundo, perfil de frutas negras, notas de alcatrão, baquelite, terebintina, indicando uma sutil mineralidade. Palato carnudo, compacto, exigente, mostrando muitas reservas. Um pequeno bloco com enorme potencial. Talvez um pouco subestimado na fase atual. Pela classificação, um Cru Bourgeois – como vinho já pressionando para o meio‑campo dos Grand Crus. Pode até ganhar mais um ponto. Valor genial! (19/20).